A Favela venceu! E o Bandeirante tem quatro de quatro contra tudo e contra todos!


 Antes de falar do jogo, eu tenho que fazer um pequeno desabafo. 

Nos meus 24 anos de vida, dezesseis de vivência do futebol e uns três anos de jornalismo, o maior legado que o Bandeirante me deu foi conhecer e respeitar todos os times do Interior de São Paulo, e ter essa cultura de futebol citadino que hoje respira por aparelhos contra a ganância, a hipocrisia e o mau caratismo dos poderosos que regem o futebol não só no Brasil como no Mundo. 

O América se encaixa perfeitamente nessa questão. Respeito demais tanto o Rubro e o Jacaré do Rio Preto, que sempre honraram a cidade de Rio Preto na história do futebol. Tinha duas camisas do América no meu acervo de camisas de times do Interior (uma eu dei embora, mas a outra que curiosamente foi feita aqui na cidade de Birigui pela J.Olé eu ainda tenho). O América é um gigante do nosso Interior, ficou 34 anos sem ser rebaixado na elite do Paulistão e enquanto a gente sofria nas Séries A2 e A3 do estado, o América tava lá jogando as Séries A e B do Campeonato Brasileiro. 

Pois bem, eu pergunto pra esse senhor (que eu me recuso a falar o nome dele porquê todo bandeirantino sabe quem ele é) que disse que os jogadores do Bandeirante não podiam se organizar num mero churrasquinho durante a pandemia e que não podia nem tomar uma simples cerveja: o que que aconteceu com o América? Gente como você enterrou o maior clube de Rio Preto nos últimos quinze anos, transformaram o Teixeirão num estádio fantasma que antes nem água e nem telefone tinha e por sorte vocês quase perderam um dos maiores orgulhos e um dos maiores templos do futebol paulista que até a seleção brasileira jogou nele (pra quem não sabe, dá um Google aí em Brasil 8-2 Gana em 1996 no Teixeirão). 

Quando o América pegou o Bandeirante, eu vi pela televisão via MyCujoo, um dos piores gramados que eu já vi na minha vida. Horroroso o gramado. Nem o Pedrão quando o BEC foi abandonado nesses últimos doze anos, tinha um gramado tão ruim quanto esse do Teixeirão. O gramado ridículo do Teixeirão é o retrato real do tamanho de seus dirigentes. Por isso que eu falo sempre: "Os clubes não são pequenos, pequenos são os seus dirigentes". O América é gigante, mas é comandado por pessoas pequenas. E o Rubro merece mais respeito próprio, coisa que faltou a você quando falou mal do Bandeirante no caso do churrasquinho que o nosso presidente Ademir Wellington de Oliveira até economizou na fala pelo que aconteceu. Tanto América quanto Bandeirante merecem respeito.

Muito bem, depois desse desabafo, vamos falar de coisa boa. O nosso técnico André Alves não fez muitas mudanças, só mudou o Claudevan que tava esgotado depois de três jogos seguidos e deu lugar ao Danilo Romão que tinha entrado no jogo na sua estréia contra o AEA. O jogo começou maluco com o Bandeirante quase fazendo o primeiro aos 30 segundos com o nosso atacante João Vitor que quase aproveitou uma falha do goleiro do América mas chutou a bola pra fora. Alguns minutos depois, escanteio do América e pela primeira vez, nossa defesa falhou logo no primeiro homem da pequena área e o Barbato foi vazado pela primeira vez depois de duzentos e setenta minutos. 

A partir daí, o jogo parecia que iria ficar parelho com o Bandeirante sentindo o gol que tomou logo no início porém aos 19 minutos, uma lambança da defesa e do goleiro do América fez com que o mesmo João Vitor driblasse o goleiro e empatasse o jogo com o gol aberto. A partir daí, o Bandeirante passou a dominar o jogo botando a bola no chão e trabalhando muito bem as jogadas embora estava jogando num gramado e em uma condição que dificulta muito que um time com o estilo e o esquema do BEC jogue do jeito que estava acostumado nos últimos jogos. 

Porém, eu notei (aí isso é opinião minha) que o Bandeirante depois que passou a controlar o jogo que alguns jogadores estavam meio displicentes. Principalmente o João Vitor que depois do gol, perdeu uma oportunidade na frente da meta e sem goleiro na sua frente e depois lá no segundo tempo, perdeu outra chance cara a cara com o próprio goleiro americano. Não pode perder esses gols, hein João Vitor. 

Tatá fez um bom início de jogo, mas durante todo o resto do primeiro tempo desapareceu. Pra piorar, assim como no jogo contra o Araçatuba, o jogo também começou a ficar muito faltoso. Precisou que o técnico André Alves teve que dar uma chacoalhada em todos os jogadores que estavam mal pra se concentrarem ainda mais no jogo. 

No segundo tempo, as broncas do nosso técnico parece que funcionaram. O Leão voltou muito mais solto, mais agressivo e passou a pressionar cada vez mais o América em busca de virar o jogo. Danilinho, Tatá, Agnaldo, Claudevan (esses dois últimos que entraram no segundo tempo) e até os defensores foram pra frente tentar uma brecha pra fazer o segundo. E essa brecha veio aos 32 quando o nosso lateral-direito Iury meio que tentou encobrir o goleiro do América e foi muito feliz na tentativa, golaço pra finalmente desequilibrar e virar o jogo em São José do Rio Preto.

Quatro minutos depois veio a estocada final nas esperanças do América. André Alves tinha feito uma outra substituição antes do gol do Iury, botando o centroavante Flávio. Aos 36, abre-se outra brecha na defesa do América, a bola chega nos pés do mesmo Flávio, ele dribla o goleiro, finta os defensores na frente do gol, dá um tapa na bola e a redonda entra devagarinho no centro do gol. Bandeirante 3 a 1 e vitória encaminhada. 

Nos minutos finais, o Bandeirante administrou o resultado e quando saiu o apito final, a alegria e a lavada na alma depois de tanta tensão chegou no Teixeirão. Quatro vitórias em quatro jogos, líder do grupo, uma das melhores campanhas no geral da Bezinha e comemoração nos vestiários (com presidente e tudo) ao som de "A Favela venceu!". Um sábado perfeito em São José do Rio Preto, agora que venha o returno contra o Tanabi na terça no Estádio Alberto Victolo em Tanabi. Pra cima deles Leão!

Avante Bandeirante!

Comentários

  1. Perfeito a Análise, só uma correção o primeiro lance do jogo foi Leo Cruz que quase abriu o Placar de cabeça ao rolar a bola ! do restante Perfeito isso sim é um Jornalismo de Verdade com empenho dedicação e sabedoria meus parabéns

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